A morte de Patrícia Fernandes da Silva, de 31 anos, após complicações graves no período pós-parto, gerou comoção e levantou questionamentos sobre o atendimento médico recebido. O caso ganhou repercussão após um vídeo divulgado nas redes sociais por Paloma Fernandes Raiz, irmã da vítima, relatando a sequência de fatos que, segundo a família, culminaram no óbito.
De acordo com o relato, Patrícia foi internada na noite de domingo, 7 de dezembro, no Hospital e Maternidade Norospar, em Umuarama, onde passou por um procedimento de parto cesariano, que resultou no nascimento de um bebê saudável. Após a cirurgia, a paciente foi encaminhada ao quarto hospitalar e passou a relatar fortes dores abdominais.
Segundo familiares, uma médica teria avaliado o quadro como sendo causado por gases, orientando que a paciente caminhasse. Patrícia foi medicada e recebeu alta hospitalar na terça-feira, dia 9 de dezembro.
Já em casa, as dores se intensificaram, levando a família a procurar atendimento médico no hospital de Cruzeiro do Oeste. No local, conforme o relato, o médico informou que o quadro apresentado não era normal e determinou a transferência imediata da paciente para o Hospital Norospar.
Durante nova avaliação, foi constatado que o intestino da paciente havia parado de funcionar. Diante da gravidade do quadro, a equipe médica optou por realizar uma cirurgia exploratória, sendo identificada uma perfuração intestinal. Em decorrência do quadro, Patrícia desenvolveu uma infecção generalizada (sepse) e, apesar dos esforços médicos, não resistiu e morreu.
Mesmo em meio à dor, Paloma afirmou que prefere acreditar que a médica responsável pelo parto não tenha percebido a perfuração durante o procedimento. A família registrou um boletim de ocorrência, solicitando a apuração dos fatos.
Nota da Polícia Civil do Paraná
A Polícia Civil do Paraná (PCPR) informa que, no dia 12 de dezembro de 2025, familiares da vítima compareceram à 7ª Subdivisão Policial (7ª SDP) de Umuarama para registrar um boletim de ocorrência, comunicando a morte de P.F.S., 31 anos.
Conforme o registro, os fatos teriam ocorrido a partir do dia 7 de dezembro de 2025, após a realização de um procedimento cirúrgico de parto cesariano, no Hospital Norospar, no município de Umuarama/PR.
Segundo a comunicação feita à Polícia Civil, a paciente apresentou agravamento significativo do quadro clínico nos dias seguintes, sendo necessária uma nova intervenção cirúrgica e internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em estado gravíssimo.
O óbito da paciente foi confirmado no dia 13 de dezembro de 2025, às 2h09.
A PCPR informa ainda que já adotou as providências cabíveis e irá instaurar procedimento investigatório para o completo esclarecimento dos fatos, com oitiva dos profissionais envolvidos, requisição de prontuários médicos e demais documentos pertinentes.
A Polícia Civil reforça que a investigação segue em andamento, com rigor técnico e respeito ao devido processo legal, e que novas informações poderão ser divulgadas oportunamente, conforme o avanço das diligências.
Nota oficial do Hospital e Maternidade Norospar – na íntegra
NOTA À IMPRENSA – ESCLARECIMENTO À POPULAÇÃO
A Associação Beneficente de Saúde do Noroeste do Paraná – Hospital e Maternidade Norospar vem a público manifestar, com profundo respeito e solidariedade, seu pesar pelo falecimento da paciente P.F.S., bem como prestar esclarecimentos técnicos diante de informações que vêm sendo divulgadas de forma imprecisa e equivocada, gerando interpretações incompatíveis com a realidade assistencial, clínica e documental do caso.
1. Contexto da internação e decisão terapêutica
A paciente P.F.S. deu entrada no Hospital e Maternidade Norospar no dia 7 de dezembro, apresentando trabalho de parto natural, com contrações. Após avaliação clínica e obstétrica, optou pela realização de cesariana, mesmo após receber, juntamente com sua acompanhante, orientações acerca dos riscos inerentes ao procedimento cirúrgico, conforme estabelecem as diretrizes médicas vigentes e registros em prontuário. Ressalta-se que a cesariana não foi imposta pela equipe médica, tratando-se de decisão consciente da paciente.
2. Complexidade cirúrgica
A cesariana foi realizada sem intercorrências intraoperatórias. No entanto, o procedimento apresentou alto grau de complexidade, em razão de antecedentes cirúrgicos relevantes, incluindo gestação ectópica prévia e cesariana anterior, condições reconhecidas pela literatura médica como fatores que aumentam o risco de aderências e complicações intestinais no período pós-operatório.
3. Assistência e acompanhamento pós-operatório
Após a cirurgia, a paciente permaneceu sob acompanhamento clínico e assistencial, sendo submetida a avaliações médicas seriadas e exames compatíveis com os sintomas apresentados naquele momento. Não houve, durante a internação inicial, qualquer evidência clínica, laboratorial ou diagnóstica de perfuração intestinal ou intercorrência cirúrgica, conforme devidamente registrado em prontuário médico.
Diante da estabilidade clínica observada à época, a paciente recebeu alta hospitalar no dia 9 de dezembro, conforme critérios técnicos assistenciais.
4. Esclarecimento técnico sobre o quadro clínico e evolução
Na quarta-feira (10 de dezembro), a paciente procurou atendimento em hospital do município de origem, sendo posteriormente encaminhada ao Hospital e Maternidade Norospar. Após nova avaliação médica e exames de imagem complementares, diante da persistência do quadro clínico, foi submetida a cirurgia laparoscópica exploratória, com posterior internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
O quadro clínico foi compatível com uma condição rara e descrita na literatura médica, denominada íleo paralítico pós-operatório, associada à obstrução intestinal, complicação possível após cirurgias abdominais, inclusive cesarianas, especialmente em pacientes com histórico cirúrgico prévio.
Essa condição pode se manifestar entre 24 horas e vários dias após o ato cirúrgico, apresentando diagnóstico inicial difícil e evolução imprevisível, podendo evoluir, em casos graves, para infecção generalizada e óbito, mesmo diante de intervenção médica adequada.
Apesar de todos os esforços médicos e assistenciais empregados, a paciente evoluiu para óbito cuja causa foi insuficiência respiratória aguda, decorrente de choque séptico de foco abdominal, em virtude de abdômen agudo perfurativo, provocado por íleo paralítico consequente do parto cesáreo.
5. Compromisso institucional e medidas cabíveis
O Hospital e Maternidade Norospar reafirma que toda a assistência prestada seguiu rigorosamente os protocolos médicos, éticos e legais, com registros completos, fidedignos e transparentes. A Instituição respeita profundamente a dor da família e o momento de luto, contudo não pode admitir a disseminação de acusações infundadas ou exposições de caráter calunioso contra seus profissionais ou contra a Instituição.
Diante disso, o Hospital informa que eventuais divulgações inverídicas serão devidamente analisadas e encaminhadas às instâncias judiciais competentes, visando à preservação da verdade dos fatos, da ética profissional e da segurança da informação em saúde.
A Instituição reafirma seu compromisso permanente com a vida, a segurança do paciente e a transparência, permanecendo à disposição das autoridades para os esclarecimentos técnicos necessários.
ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO
HOSPITAL NOROSPAR
Acompanhamento
O Portal Noroeste Online seguirá acompanhando o caso e todos os seus desdobramentos, cumprindo seu papel de ouvir todas as partes envolvidas, buscar esclarecimentos junto às autoridades competentes e à instituição hospitalar, e levar informação com responsabilidade, equilíbrio e transparência à população, atuando como elo entre a família, o hospital e a sociedade.