Um padre de 41 anos, natural de Cascavel, foi preso preventivamente no último domingo (24) acusado de abuso sexual contra adolescentes e jovens. A detenção ocorreu durante a operação “Lobo em Pele de Cordeiro”, deflagrada pelo Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria), da Polícia Civil.
O religioso, cujo nome não foi divulgado oficialmente, já havia sido homenageado pela Câmara de Vereadores de Cascavel em 2022, quando recebeu Moção de Aplausos pelo trabalho da Renovação Carismática Católica (RCC) na Festa de Pentecostes. Na época, ele foi citado nominalmente como assessor espiritual da RCC, ao lado do arcebispo Dom Adelar Baruffi e outros líderes religiosos.
As acusações
Segundo a delegada Thais Regina Zanatta, responsável pela investigação, o padre apresentava um comportamento predatório desde 2010, quando ainda era seminarista. As vítimas identificadas até o momento são adolescentes entre 13 e 15 anos e jovens em situação de vulnerabilidade, que teriam sido dopados, assediados ou atraídos por promessas de dinheiro, presentes, viagens e convites para pernoitar na residência do religioso.
Durante a operação, o padre foi detido na casa da mãe. No local, os policiais apreenderam jogos de videogame, materiais religiosos e equipamentos eletrônicos, que serão periciados. Até agora, 11 pessoas já foram ouvidas, entre testemunhas e possíveis vítimas. Três jovens foram oficialmente reconhecidos como vítimas, incluindo uma menor de idade à época dos fatos.
Além das denúncias de abuso sexual, a Polícia Civil apura ainda irregularidades financeiras na paróquia onde o padre atuava e a prática ilegal da medicina, já que ele oferecia “terapias complementares” em um espaço particular.
Afastamento e pronunciamento da Igreja
A Arquidiocese de Cascavel confirmou que o padre já havia sido afastado de suas funções pastorais quando a denúncia chegou à Igreja. Em nota oficial, a instituição manifestou “profunda consternação” diante do caso e assegurou estar colaborando com as autoridades.
Na manhã de segunda-feira (25), o arcebispo Dom José Mário fez um pronunciamento público, em que lamentou a situação e reforçou que a Igreja deseja que a verdade prevaleça.
“Se o padre, de fato, cometeu delito, ele deve responder por isso”, declarou.
O arcebispo informou que a diocese abriu processo de investigação canônica, que poderá resultar no envio do caso ao Vaticano. Segundo ele, casos comprovados de pedofilia têm levado à demissão do estado clerical, ou seja, o desligamento definitivo do padre.
Dom José Mário destacou ainda que a Igreja pretende oferecer apoio às vítimas e lembrou que a Arquidiocese de Cascavel conta com 74 padres em atividade, “a grande maioria homens justos e dedicados à missão religiosa”.
Investigações continuam
As apurações seguem em andamento para identificar outras possíveis vítimas e esclarecer todos os crimes atribuídos ao religioso. A Polícia Civil não descarta que novos depoimentos sejam colhidos nos próximos dias.