As lavouras de mandioca no Paraná enfrentam um cenário desafiador neste início de 2026. A irregularidade das chuvas tem dificultado o ritmo da colheita, reduzido a oferta no campo e provocado uma escalada nos preços da raiz em todo o estado.
Dados recentes do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que a combinação entre clima adverso e demanda firme elevou as cotações ao maior nível nominal desde dezembro. Na última semana, o valor médio da tonelada chegou a R$ 505,80, acumulando alta de 7,2% nas últimas quatro semanas.
O problema começa no campo. Em regiões produtoras do Paraná, a distribuição irregular das chuvas tem dificultado o arranquio da mandioca, atrasando a colheita e reduzindo o volume disponível para as fecularias. Em períodos de solo seco ou com precipitações mal distribuídas, o trabalho das máquinas se torna mais lento e aumenta o risco de perdas.
Ao mesmo tempo, a indústria mantém forte ritmo de compras para recompor estoques de fécula e farinha, o que pressiona ainda mais os preços. Esse desequilíbrio entre oferta limitada e procura aquecida tem sustentado a valorização da cultura no mercado paranaense.
A situação preocupa porque o Paraná é um dos principais polos da mandioca no Brasil, com previsão de produção de cerca de 4,4 milhões de toneladas em 2026 e forte concentração de indústrias no Noroeste do estado. (Governo do Estado do Paraná)
Além disso, o cenário climático não deve trazer alívio imediato. O prognóstico do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica chuvas abaixo da média e temperaturas acima do normal para o Sul do país neste outono, condição que pode manter o estresse hídrico e impactar ainda mais a produtividade das lavouras.
Diante desse cenário, produtores enfrentam um dilema: mesmo com preços em alta, a redução na produtividade e os custos de produção seguem pressionando a rentabilidade. O resultado é um mercado mais cauteloso, com vendas travadas e expectativa de continuidade da volatilidade nas próximas semanas.
O momento reforça o papel estratégico da mandioca na economia agrícola paranaense , uma cultura resiliente, mas cada vez mais sensível às variações climáticas e às dinâmicas de mercado.