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Golpe com inteligência artificial quase faz família de Umuarama perder R$ 5 mil em falsa videochamada da filha

Criminosos usaram inteligência artificial para simular o rosto, a voz e informações pessoais da jovem. Transferência via Pix só não foi concluída porque a verdadeira filha chegou em casa durante a ligação.

Por Noroeste Online
30/06/2026 10:08
Atualizado há 3 meses

Uma família de Umuarama escapou por poucos segundos de um prejuízo de R$ 5 mil após ser alvo de um golpe sofisticado que utilizou inteligência artificial para simular uma videochamada da própria filha. O caso aconteceu no último domingo (28) e evidencia uma modalidade criminosa cada vez mais comum: o uso de deepfakes para enganar vítimas e provocar transferências bancárias em momentos de forte abalo emocional.

A vítima foi a mãe da jovem, que recebeu uma videochamada aparentemente feita pela filha. Durante a ligação, a suposta jovem afirmava ter sofrido um acidente e dizia precisar de dinheiro com urgência.

A cena parecia absolutamente real. Do outro lado da tela estavam o rosto, a voz e as expressões da filha, que ainda aparecia vestindo o uniforme do hospital onde trabalha como técnica em enfermagem. Convencidos de que se tratava de uma emergência, os pais entraram em desespero. O pai já realizava uma transferência via Pix de R$ 5 mil quando aconteceu o inesperado: a verdadeira filha entrou em casa.

Ela havia retornado durante o intervalo do trabalho para buscar o celular, que havia esquecido em casa.

Pelas normas sanitárias e pelos regulamentos da instituição onde trabalha, a jovem não utiliza o celular pessoal durante o expediente. O aparelho permanece guardado em um armário e só é acessado nos horários de pausa. Em casos de urgência, familiares podem entrar em contato pelos canais oficiais do hospital, possibilidade que, diante do momento de tensão, sequer foi lembrada.

“Moro perto, então peguei a moto e fui em casa buscar meu celular. Quando cheguei, minha mãe e meu pai estavam desesperados. Meu pai já estava fazendo um Pix de R$ 5 mil. Quando entrei, os dois quase desmaiaram. Eu não entendi nada. Na mesma hora, o bandido desligou a ligação e bloqueou o número da minha mãe. Foi por muito pouco”, relatou.

A família preferiu não ter a identidade divulgada, mas decidiu compartilhar a experiência como forma de alertar outras pessoas.

Segundo a mãe, em nenhum momento houve desconfiança de que a ligação fosse falsa, mesmo sendo realizada por um número desconhecido.

“Era uma videochamada e ela sabia tudo. Sabia onde trabalhava, conhecia nossos nomes. Era o rosto dela e aparecia usando o uniforme do hospital. Não duvidamos em nenhum momento. Foi um pesadelo.”

Golpes com inteligência artificial preocupam especialistas

O episódio ilustra uma modalidade criminosa que tem despertado preocupação entre especialistas em segurança digital em diversos países. Os chamados deepfakes utilizam inteligência artificial para reproduzir rostos, vozes e expressões faciais com elevado grau de fidelidade, tornando golpes financeiros muito mais convincentes.

Especialistas alertam que os criminosos exploram justamente momentos de maior vulnerabilidade emocional. Ao inventar acidentes, emergências médicas ou pedidos desesperados de ajuda, reduzem a capacidade de análise das vítimas, que acabam realizando transferências antes de confirmar a veracidade das informações.

Outro fator que amplia os riscos é a quantidade de informações pessoais compartilhadas nas redes sociais.

Depois do susto, a mãe afirma ter mudado completamente a forma como enxerga a exposição na internet.

“Falei para minha filha apagar tudo das redes sociais, bloquear, limitar. Ela gosta de postar tudo o que faz. Acredito que os bandidos pegam nossas informações de lá. A pessoa que falou comigo parecia saber tudo sobre nós e a voz era igual. Esses jovens precisam pensar muito bem no que tornam público. Nós quase fomos vítimas.”

Pesquisas e especialistas em segurança cibernética apontam que fotos, vídeos, rotina, vínculos familiares, locais de trabalho e outras informações disponíveis publicamente podem ser utilizadas por criminosos para construir abordagens extremamente convincentes.

Como se proteger

Especialistas recomendam algumas medidas simples para reduzir os riscos:

  • Criar uma palavra-chave entre familiares para situações de emergência;
  • Nunca fazer transferências bancárias sob pressão emocional;
  • Confirmar qualquer pedido de dinheiro por outro meio de comunicação;
  • Desconfiar de ligações feitas por números desconhecidos, mesmo quando a imagem e a voz pareçam autênticas;
  • Restringir a exposição de informações pessoais nas redes sociais.

O caso registrado em Umuarama terminou sem prejuízo financeiro, mas serve como um importante alerta. Em tempos de inteligência artificial, ver um rosto conhecido ou ouvir uma voz familiar já não é garantia de autenticidade. A mesma tecnologia que revoluciona áreas como saúde, educação e comunicação também pode ser utilizada por criminosos para explorar um dos sentimentos mais fortes do ser humano: o amor pela família.

Essa versão deixa a narrativa mais dinâmica, fortalece o impacto da abertura e aproxima o texto do estilo de grandes portais de notícias, preservando o rigor jornalístico.

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