Cabos de internet soltos na pista quase provocaram uma tragédia na noite do último domingo de Páscoa (5), em Umuarama. O caso foi relatado pelo filho das vítimas, Diego Santana Mota, por meio de uma nota enviada ao Jornal Umuarama Ilustrado na manhã desta terça-feira (7).
De acordo com o relato, o casal Nadir Aparecida Santana, de 55 anos, e Valter Pereira Mota retornava para casa de motocicleta pela Avenida Rio Grande do Sul, nas proximidades do Royal Garden, quando foi surpreendido por cabos soltos em um poste. O casal reside na Rua Fernando de Noronha, no Jardim Colorado.
“Minha mãe trabalha no Harmonia Clube de Campo, e meu pai tinha ido buscá-la quando o acidente aconteceu”, relatou o filho.
Durante o trajeto, os fios teriam se enrolado no pescoço do condutor, causando momentos de desespero. Na tentativa de se desvencilhar, a passageira teve a mão gravemente atingida, resultando na amputação de três dedos da mão direita.
O caso levanta um alerta sobre um problema recorrente na cidade. O Portal Noroeste Online apurou que a situação já havia sido levada ao conhecimento do poder público. No dia 23 de fevereiro de 2026, o vereador Washington Guirão apresentou uma indicação — aprovada pela Câmara Municipal — solicitando que o Executivo notificasse as empresas de telefonia e internet para a regularização dos cabos soltos.
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Umuarama se manifestou por meio de nota, esclarecendo que a fiscalização de fios em postes é, primeiramente, responsabilidade da concessionária de energia elétrica, que detém a posse da estrutura e cobra pelo uso. Segundo a administração, as operadoras de telefonia e internet são responsáveis pela manutenção dos cabos, enquanto órgãos reguladores como ANEEL e ANATEL normatizam a ocupação.
A nota destaca ainda que a distribuidora de energia deve organizar a fiação e, quando necessário, remover cabos inativos, inclusive de terceiros. Em casos de irregularidades ou risco à população, a orientação é que haja notificação das empresas responsáveis e retirada imediata da estrutura irregular.
Mesmo não sendo atribuição direta do município, a Prefeitura informou que irá cobrar providências da concessionária de energia diante da gravidade do caso.
Diante do ocorrido, cresce a discussão sobre a necessidade de medidas mais rígidas para evitar novos acidentes. A criação de uma legislação municipal mais específica, com regras claras, prazos e penalidades para empresas responsáveis por cabos soltos, surge como alternativa para garantir maior fiscalização e segurança à população.
A situação expõe um problema que não pode mais ser ignorado. O risco é real e já deixou vítimas. A cobrança agora é por ações efetivas, antes que uma tragédia ainda maior aconteça.
