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Quatro vidas interrompidas em Icaraíma: o que a investigação revela sobre o caso que chocou o Paraná

Polícia reconstrói a emboscada que levou à execução de quatro homens após tentativa de cobrança de dívida.

Por Noroeste Online
10/12/2025 14:32
Atualizado há 9 meses

A Polícia Civil do Paraná divulgou novos detalhes sobre o assassinato de quatro homens em Icaraíma, reconstruindo passo a passo como a cobrança de uma dívida evoluiu para uma emboscada armada e para a ocultação dos corpos em área rural. A seguir, os principais elementos da reconstituição feita pelos investigadores — agora apresentados sob uma perspectiva completamente reorganizada.

 Origem do conflito: versões divergentes e um cobrador contratado

Em vez de focar apenas no valor da dívida, a investigação aponta que o problema teve origem na falta de clareza sobre o montante real e na decisão de Alencar Gonçalves de Souza Giron de contratar Diego Henrique Affonso para intermediar o acerto.

  • Alencar dizia dever R$ 129 mil.
  • Os Buscariollos afirmavam ter notas promissórias de R$ 255 mil.
  • Um tercer­o relato chegou a mencionar R$ 1 milhão.

O clima, antes mesmo dos encontros, já era de incerteza. Em áudios coletados no inquérito, Alencar expressava receio; Diego, por outro lado, assegurava que nada aconteceria.

 Os dias que antecederam o crime: encontros frustrados e sensação de risco

A presença das vítimas em Icaraíma nos dias 4 e 5 de agosto teve dois momentos decisivos:

  • O primeiro contato, em que houve promessa de pagamento por meio da cessão de uma casa.
  • O dia seguinte, com nova tentativa de negociação e relatos de que um dos devedores estaria armado.

Mensagens enviadas por Diego à esposa mostravam que o grupo já percebia sinais de tensão, mas mesmo assim insistiu em voltar ao local da cobrança.

 Movimentações das vítimas: reconstrução minuto a minuto

A Polícia Civil reorganizou as últimas horas das vítimas com base em imagens de câmeras e depoimentos, revelando linhas temporais precisas:

  • 04/08 – tarde: chegada e primeira tentativa de acordo.
  • 05/08 – 10h26: ida a Vila Rica.
  • 05/08 – 11h47: retorno a Icaraíma.
  • 05/08 – 12h04: saída final.
  • 05/08 – 13h04: a Fiat Toro surge em alta velocidade rumo à área onde os corpos seriam enterrados.

Quando o veículo foi captado pela última vez, a polícia afirma que as quatro vítimas já estavam sem vida.

O ataque: ação simultânea e armas de alto calibre

O núcleo da investigação se concentra na forma como a execução ocorreu. A emboscada foi rápida e coordenada, utilizando armas de cinco calibres diferentes, incluindo munição de fuzil.

A caminhonete foi alvejada:

  • na frente,
  • na traseira,
  • e na lateral esquerda.

Laudos comprovam disparos vindos de três posições distintas, sugerindo um grupo organizado em posições triangulares. Nenhuma evidência indica que as vítimas tenham sido levadas vivas para outro local.

Do disparo ao enterro: ocultação em dois níveis

O passo seguinte do crime envolveu duas ações simultâneas:

Corpos

Foram retirados da caminhonete e enterrados em uma cova na mata. Peças da Fiat Toro foram encontradas junto aos cadáveres, reforçando que a remoção foi feita às pressas.

Veículo

A caminhonete foi transportada para um bunker subterrâneo improvisado e ali ocultada.

A localização dos corpos em 18 de setembro, exigiu operações com drones, georadar, levantamentos topográficos e equipes especializadas em buscas de inumações clandestinas.

O que dizem os laudos: morte imediata e sem tortura

Resultado das necropsias:

  • Tiros atingiram regiões vitais, muitos deles a curta distância.
  • Um dos homens recebeu três disparos na cabeça.
  • Outro, nove ferimentos, incluindo projéteis diferentes.
  • Não havia marcas de amarras, lesões de tortura ou qualquer ferimento que não fosse provocado por arma de fogo.
  • O estado de saponificação se encaixa perfeitamente no tempo em que os corpos permaneceram enterrados.

A conclusão dos peritos: as mortes foram instantâneas e os corpos não foram deslocados após o enterro.

 Paralelo inesperado: investigadores buscam desvios internos

Durante o andamento do inquérito, surgiram indícios de comunicação entre dois agentes policiais e pessoas investigadas. A corregedoria determinou buscas e apreensões, e os servidores serão removidos da unidade.

A Polícia Civil reforça que não existe qualquer evidência de que esses agentes tenham participado do homicídio, apenas suspeitas de possível facilitação de fuga ou destruição de vestígios.

Etapa atual: autoria sob sigilo e investigações em andamento

Embora a dinâmica do crime esteja praticamente reconstituída, a Polícia Civil ainda mantém sob sigilo todas as informações referentes à autoria e à participação individual dos envolvidos. Só após o encerramento das diligências esse ponto será divulgado.

 

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