O Núcleo Regional de Curitiba do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) denunciou criminalmente, nesta segunda-feira (22), quatro pessoas investigadas por participação em um suposto esquema de exigência de repasses de parte dos salários de servidores comissionados vinculados ao gabinete do deputado estadual Ricardo Arruda, na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).
Segundo o Ministério Público do Paraná, foram denunciados três homens e uma mulher, esposa do parlamentar. As acusações envolvem os crimes de concussão e lavagem de dinheiro praticados entre 2018 e 2023, com movimentação estimada em aproximadamente R$ 132,8 mil.
De acordo com a denúncia, o deputado estadual, que já havia sido denunciado pelo Ministério Público em 2024 e, por isso, não integra esta nova ação penal, teria exigido de servidores comissionados o repasse de parte dos vencimentos. Conforme as investigações, os valores eram recebidos de forma indireta, por meio de mecanismos destinados a ocultar a origem e o destino dos recursos.
A denúncia foi recebida pela 2ª Vara Criminal de Curitiba. A Justiça também determinou o afastamento das funções públicas de um dos denunciados, que ainda ocupa cargo em comissão na Alep. A medida busca evitar eventual interferência nas investigações e garantir o regular andamento do processo.
Esquema
As investigações apontam diferentes formas de operacionalização do suposto esquema. Em três episódios citados pelo Ministério Público, valores repassados por servidores teriam sido utilizados para a compra de moeda estrangeira, posteriormente entregue em espécie ao parlamentar, com o objetivo de dificultar o rastreamento dos recursos.
A denúncia também relata que parte dos valores teria sido utilizada para custear despesas da esposa do deputado por meio da utilização de cartões de crédito. Além disso, os investigadores identificaram transferências bancárias, saques em dinheiro, depósitos em contas de terceiros, pagamentos de despesas pessoais e repasses para uma empresa familiar ligada ao parlamentar.
Segundo o Gaeco, os mecanismos tinham como finalidade ocultar a origem dos recursos e dificultar sua identificação pelas autoridades.
Nos fatos mais recentes, registrados em 2023, dois dos denunciados teriam atuado diretamente na exigência dos repasses de parte dos salários dos servidores e na adoção de mecanismos para ocultar os valores recebidos, inclusive por meio de depósitos em espécie e pagamento de despesas particulares.