Novos esclarecimentos divulgados pela Polícia Civil do Paraná buscam responder dúvidas surgidas após a divulgação de documentos periciais ligados à investigação da chacina que vitimou quatro homens em Icaraíma, em agosto do ano passado.
Um dos principais questionamentos dizia respeito a uma corda localizada próxima a um dos corpos encontrados na área rural onde as vítimas foram enterradas. De acordo com o delegado Thiago Andrade Inácio, responsável pelo inquérito, a análise dos elementos reunidos até agora aponta para uma explicação diferente daquela levantada por familiares e pessoas que acompanham o caso.
Conforme a autoridade policial, a hipótese atualmente considerada pelos investigadores é de que a corda tenha sido utilizada após as mortes, servindo como apoio para remover ou arrastar o corpo até a cova clandestina. A conclusão leva em conta as condições do terreno, descrito como uma região de mata fechada, com acesso difícil e sem possibilidade de aproximação de veículos.
A Polícia Civil ressaltou que não há, até o momento, qualquer resultado pericial indicando que o material tenha sido empregado para amarrar, manter em cárcere ou submeter alguma das vítimas a atos de violência antes dos assassinatos.
As explicações foram apresentadas após a repercussão de imagens anexadas ao processo, que motivaram novas discussões sobre a dinâmica do crime. Entre os pontos levantados estavam marcas observadas em uma das vítimas e a presença da corda encontrada durante a localização dos corpos.
Em nota oficial, a corporação informou que a investigação continua sem elementos que sustentem a tese de tortura. Segundo os investigadores, os exames realizados indicam que os disparos atingiram regiões vitais, circunstância compatível com morte imediata.
Outro aspecto destacado pela polícia é a inexistência de evidências que apontem para a permanência das vítimas em cativeiro antes da execução. De acordo com o inquérito, os dados obtidos até agora não revelam sinais de privação de liberdade ou agressões anteriores aos disparos.
O caso é tratado como um quádruplo homicídio qualificado e segue sendo investigado sob sigilo. A linha principal da apuração aponta que os quatro homens foram atraídos para uma emboscada planejada e executados no local. Posteriormente, os corpos e o veículo utilizado por eles teriam sido ocultados para dificultar a descoberta do crime.
Mesmo com o avanço das investigações, os principais suspeitos ainda não foram encontrados. Antônio Buscariollo, conhecido como Tonhão, e seu filho, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, permanecem foragidos e continuam sendo procurados pelas forças de segurança.
A Polícia Civil afirma que novas informações serão divulgadas apenas quando não houver risco de comprometimento das diligências em andamento.