Três brasileiros e dois paraguaios foram presos sob a suspeita de traficar cerca de 50 pessoas para o trabalho análogo à escravidão no Brasil, em uma grande operação desencadeada durante a madrugada de segunda-feira, 16. O grupo criminoso foi interceptado pelas autoridades na cidade paraguaia de Ypejhú, localizada a aproximadamente 200 quilômetros da divisa com o Paraná, exatamente no momento em que os suspeitos tentavam cruzar a fronteira transportando dezenas de vítimas amontoadas em um ônibus.De acordo com as investigações conduzidas pelo Departamento Contra o Tráfico de Pessoas e pelo Ministério Público do Paraguai, o esquema de aliciamento acontecia principalmente através de grupos no WhatsApp, onde os criminosos atraíam os trabalhadores com falsas promessas de excelentes salários em reais para atuar na colheita de maçãs em território brasileiro. No entanto, a apuração revelou que o verdadeiro objetivo da quadrilha era submeter essas pessoas a condições de servidão e trabalho forçado, tática que envolvia até mesmo o confisco cruel dos documentos pessoais e dos aparelhos celulares de todas as vítimas logo nos primeiros contatos para evitar qualquer tentativa de fuga ou denúncia.
O trabalho de inteligência da polícia paraguaia monitorou o deslocamento do veículo desde o interior do país, passando por diversas cidades para recrutar novos alvos ao longo do trajeto, incluindo moradores de comunidades indígenas vulneráveis, até reunir parte do grupo em uma residência alugada no departamento de Caaguazú. Diante da gravidade dos fatos e das provas recolhidas, os brasileiros identificados como Nitor Oliveira Hoffmann, Antonio Marcos de Souza e Bernardo Cardoso permanecem detidos à disposição da Justiça, enquanto o Ministério Público já formalizou o pedido de prisão preventiva de todos os envolvidos, que agora devem responder criminalmente pelo crime de tráfico internacional de pessoas.