Nem o prefeito de Umuarama, Fernando Scanavaca, nem qualquer representante da administração compareceram à reunião marcada na manhã desta terça-feira (9), na Câmara de Vereadores. O encontro havia sido agendado desde a última quinta-feira (4), com o objetivo de dialogar com um grupo de mães atípicas da cidade.
As famílias se sentiram desrespeitadas. Muitas mães deixaram seus afazeres e os filhos para estarem presentes, com a expectativa de ouvirem do poder público, no mínimo, um pedido de desculpas. Ao final, saíram frustradas e indignadas.
A reunião foi organizada pelo vereador Lucas Grau, que esteve acompanhado da vereadora Rosângela Lavagnoli. Em contato com o Portal Noroeste Online, Lucas afirmou que, de última hora, foi informado que o prefeito não participaria e que também não havia designado outra pessoa para representá-lo.
Apesar da ausência da administração, os vereadores ouviram atentamente as reivindicações. Segundo Grau, será elaborado um documento formal para cobrar providências da Prefeitura. O parlamentar demonstrou frustração, ressaltando que, se soubesse da falta de participação do Executivo, não teria feito o convite em plenário durante a sessão da noite de segunda-feira (8).
Na mesma noite, o plenário da Câmara ficou completamente lotado em ato de repúdio às falas atribuídas ao prefeito Scanavaca. Em uma reunião anterior, ele teria proferido declarações consideradas capacitistas, colocando em dúvida laudos médicos e insinuando que algumas famílias se beneficiam das condições dos filhos para obter vantagens, como vagas de estacionamento.
A indignação aumentou quando, segundo relatos, o prefeito afirmou que “gostaria de ter um filho autista”, declaração que foi considerada preconceituosa e ofensiva. Durante a reunião desta terça-feira, as mães afirmaram que, caso o prefeito não se retrate publicamente, um boletim de ocorrência será registrado na delegacia.
Além da indignação com as falas, as mães reforçam que enfrentam cortes e reduções em terapias essenciais, o que compromete o desenvolvimento das crianças. As queixas não se restringem apenas às famílias de autistas, mas também incluem falta de atendimento para crianças com TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade).
Procurada pelo Portal Noroeste Online, a assessoria de imprensa da Prefeitura informou que, por enquanto, não irá se pronunciar sobre o caso.
O Portal continuará acompanhando e dando voz às famílias, reforçando a cobrança por respeito e compromisso da administração municipal.
