Um adolescente com diagnóstico dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA) foi agredido por outro estudante em frente ao Colégio Estadual Marcos Schuster, no bairro Periolo, em Cascavel, no oeste do Paraná. A agressão aconteceu na rua África e foi registrada em vídeo por colegas que estavam no local. As imagens, amplamente divulgadas nas redes sociais, foram borradas para preservar a identidade dos envolvidos.
No vídeo, o jovem com TEA aparece sendo atacado com diversos socos, sem reagir fisicamente à violência. A cena só é interrompida quando uma aluna se aproxima e separa os dois.
Envolvidos estudam em turnos diferentes
Segundo a Secretaria de Estado da Educação do Paraná (SEED-PR), os dois adolescentes são alunos da rede estadual. A vítima frequenta o período da manhã, enquanto o agressor era estudante do período noturno. A direção da escola só tomou conhecimento do episódio após ser procurada pela família do aluno agredido, que relatou o caso e solicitou apoio da instituição.
A família do adolescente com TEA registrou Boletim de Ocorrência e acionou os órgãos competentes para garantir a responsabilização do agressor e a proteção do filho. O Conselho Tutelar também foi notificado, não apenas por conta da agressão, mas devido à baixa frequência escolar do adolescente agressor.
Medidas tomadas
Após ser identificado, o aluno agressor foi transferido para outro colégio, por decisão da própria família. A direção da unidade escolar promoveu uma reunião com os responsáveis de ambos os estudantes, formalizou os encaminhamentos em ata e realizou orientações com os alunos sobre a importância do respeito mútuo e da resolução pacífica de conflitos.
O Núcleo Regional de Educação (NRE) de Cascavel foi informado oficialmente pela direção do colégio sobre o caso e acompanha a situação.
Apoio educacional especializado
O estudante agredido possui diagnóstico formal de autismo e é acompanhado por um Professor de Apoio Educacional Especializado (PAEE) — profissional capacitado para atuar na mediação do processo de aprendizagem de estudantes com necessidades educacionais específicas. A presença do PAEE na rotina escolar é parte das políticas públicas de inclusão da rede estadual de ensino.
Em nota, a Secretaria da Educação do Paraná reiterou o compromisso com a segurança dos estudantes, afirmou que todas as medidas cabíveis foram tomadas pela escola, e destacou a importância do diálogo entre a comunidade escolar e as famílias para prevenir episódios de violência.
Violência escolar e inclusão
Especialistas alertam que episódios de violência contra estudantes com deficiência ou condições do neurodesenvolvimento, como o autismo, precisam ser enfrentados com ações firmes por parte das instituições e com campanhas educativas que promovam o respeito às diferenças.
A situação expõe desafios ainda persistentes na implementação plena da educação inclusiva e na construção de ambientes escolares seguros para todos os alunos.
Catve.com