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Aumento de casos de viroses em cidades de Santa Catarina acendem alerta para prevenção

Além do litoral de SC,  Litoral de São Paulo teve 15 praias com bandeira vermelha, impróprias para banho e com mais risco de virose, durante a maior parte de 2024

Por Noroeste Online
06/01/2025 11:40
Atualizado há 2 anos

O ano de 2025 já começa com um novo alerta para o aumento de casos de doenças diarreicas, comuns no verão. Florianópolis é uma das cidades que monitora o aumento acima da média no número de atendimentos por estas doenças, as populares viroses. Itapema, Itajaí e Balneário Camboriú também registraram aumento desses casos.

A Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis informou que o número de casos aumenta junto com o crescimento da população e a chegada do verão. Os casos registrados nas últimas semanas são considerados de baixo risco e dificilmente evoluem para quadros mais graves, que necessitem internação.

 

“Nas últimas semanas, de acordo com a sala de situação da Vigilância Epidemiológica, os registros estão acima da série histórica, que considera uma média dos casos confirmados no mesmo período nos últimos cinco anos. No entanto, a Secretaria de Saúde segue monitorando e alertando a população e profissionais de saúde sobre os cuidados com higiene, conservação de alimentos e bebidas e consumo de produtos em estabelecimentos credenciados e fiscalizados pela vigilância sanitária”, informou a pasta, em nota.

Já a Diretoria de Vigilância Epidemiológica do Estado (Dive) informou que o Hospital Infantil Joana de Gusmão, de Florianópolis, identificou um pequeno aumento na procura por atendimento na emergência relacionado a doenças diarreicas nos últimos dias. “São casos leves, tratados com reidratação e de forma clínica. A emergência do hospital está atendendo normalmente, sem sobrecarga de pacientes, que são acolhidos e atendidos no serviço, mediante classificação de risco”, diz a nota.

Casos aumentam no Litoral Norte

Em Itapema, o Hospital Santo Antônio também tem recebido um fluxo maior do que o normal de casos de virose. O médico pediatra da unidade, Daniel Aglio, reforça que a prevenção é essencial, especialmente com as crianças e nos dias de mais calor, quando as pessoas vão mais à praia. Lavar as mãos e os alimentos antes de consumir é essencial. “Estamos com superlotação e priorizando os casos mais graves”, disse o médico.

Já em Itajaí, a secretária de Saúde do município, Mylene Lavado, informou que o município deve abrir uma central para atendimento de urgência e emergência para atender pacientes com sintomas de virose e também de doenças respiratórias (como gripe) e dengue.

— Nesse período do ano a gente tem um aumento exacerbado dessas doenças no CIS [Centro Integrado de Saúde] e na UPA, o que faz com que haja um grande número de pessoas que esperam por atendimento e uma demora no atendimento — disse a médica.

A central fica no décimo andar do Hospital Marieta, com entrada pelo ambulatório.

Em Balneário Camboriú, o hospital da Unimed registrou um aumento de 50% no número de atendimentos de pacientes com sintomas de virose, como vômito e diarreia.

A Dive informou ainda que até 18 de dezembro, Santa Catarina tinha registrado 6.239 casos da doença. Em 2024, até esta data, foram notificados 224 surtos de doenças diarreicas. Veja o que mais diz a nota:

“Em decorrência de estarmos vivenciando um período de intenso calor e com o aumento da população flutuante, principalmente na região litorânea de Santa Catarina, pode ocorrer um crescimento no número de casos de algumas doenças transmitidas de pessoa a pessoa, entre elas as doenças diarreicas agudas (DDA), ou doenças infecciosas gastrointestinais, popularmente conhecidas por “viroses” de verão.

Os municípios têm acompanhado os casos nos serviços de saúde. Além disso, os hospitais com emergência porta aberta estão atendendo a população que procura por atendimento.

 

Como se prevenir de viroses

As doenças diarreicas agudas (DDA), ou viroses, correspondem a um grupo de doenças infecciosas gastrointestinais, que na temporada 2022/2023 causaram um surto em Santa Catarina.

O principal sintoma costuma ser o aumento do número de evacuações, com fezes aquosas ou de pouca consistência, acompanhada ou não de náuseas, vômito, febre e dor abdominal, podendo durar até 14 dias.

As doenças podem ser causadas por vírus, bactérias e parasitas e costumam infectar a população em decorrência do descuido com a higiene, como não lavar as mãos com frequência, especialmente antes de se alimentar; da ingestão de alimentos de procedência desconhecida, com destaque para os frutos do mar, ou bebidas produzidas com ingredientes contaminados; pela falta de conservação térmica de comidas, que favorece a multiplicação de microrganismos e a liberação de toxinas que causam danos à saúde; ao tomar banho em praias impróprias ou em rios/córregos poluídos.

Alguns cuidados são necessários para evitar o adoecimento e a transmissão para outras pessoas:

  • Cuidar com a qualidade da água ingerida que deve ser tratada, fervida ou mineral;
  • Evitar a ingestão de frutos do mar crus, carnes mal passadas, especialmente sem saber a procedência;
  • Ao levar alimentos para a praia, cuidar da higiene e manter a refrigeração adequada;
  • Não consumir sucos, batidas, caipirinhas e outras bebidas não industrializadas sem saber a procedência dos ingredientes utilizados;
  • Não consumir alimentos fora do prazo de validade, mesmo que aparência seja normal;
  • Não consumir alimentos que pareçam deteriorados, com aroma, cor ou sabor alterados, mesmo que estejam dentro do prazo de validade;
  • Higienizar as mãos com frequência, especialmente antes e depois de utilizar o banheiro, trocar fraldas, manipular e preparar os alimentos, amamentar e tocar em animais;
  • Não frequentar locais com condição imprópria para banho.

A doença pode causar desidratação leve a grave, sendo que crianças, idosos e pessoas imunodeprimidas são mais vulneráveis e têm mais chances de evoluir para gravidade. Principalmente nestes casos é importante monitorar os sintomas, não se automedicar e, caso necessário, procurar uma unidade de saúde para realização do tratamento adequado.

Além do litoral de SC, Litoral de SP registra surto de virose acima da média:

 Litoral de SP teve 15 praias com bandeira vermelha, impróprias para banho e com mais risco de virose, durante a maior parte de 2024

Vejas quais as praias com mais bandeiras vermelhas

  • Guarujá – Perequê – 51
  • Ubatuba – Itaguá (Leovegildo, 1724) – 51
  • Praia Grande – Vila Tupi – 44
  • São Vicente – Prainha (Av. S. Brito) – 44
  • São Vicente – Gonzaguinha – 42
  • São Vicente – Milionários – 41
  • Ubatuba – Itaguá (Leovegildo, 240) – 39
  • Praia Grande – Vila Mirim – 35
  • Praia Grande – Maracanã – 32
  • Mongaguá – Central – 28
  • Mongaguá – Santa Eugênia – 28
  • Mongaguá – Vera Cruz – 28
  • Praia Grande – Balneário Flórida – 28
  • Praia Grande – Boqueirão – 28
  • Ubatuba – Rio Itamambuca – 27

O que dizem as prefeituras

A Prefeitura de Santos diz que o principal fator que determina os níveis de balneabilidade é a rede coletora de esgoto, de responsabilidade da Sabesp, com a qual a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade desenvolve várias ações conjuntas. A administração municipal afirma também que a cidade tem 99% de ligação de esgoto e todo o sistema é interligado ao emissário submarino, que despeja o material, após tratamento, a 4,5 km do litoral.

“No entanto, a pasta entende que há uma relação direta entre a balneabilidade e o volume de tratamento de efluentes lançados por todos os emissários submarinos existentes nos demais municípios da Baixada Santista. No caso de Santos, há ainda questões geográficas a serem consideradas, notadamente o fato de praias estarem inseridas em uma baía, com conexão direta com o canal do porto e municípios vizinhos, dos quais sofrem influência direta, principalmente no que se refere às ligações irregulares e/ou clandestinas nestas cidades”, diz, em nota, citando também uma série de ações para melhorar a balneabilidade.

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